20 outubro, 2011

Chegada e partida.

+5ºC

Entre mudanças para a nova morada, a visita da irmã e o remate do concurso de projecto, não sobra muito tempo para dedicar a esta página. Dei finalmente por concluídos os desenhos 2D, mas ainda há trabalho a fazer. Ontem cheguei a casa perto da meia-noite esganada de fome e fundi a segunda lâmpada em 3 dias. Diga-se que a outra foi a da casa-de-banho, agora tomo banho (e faço outras coisas) de porta aberta para ganhar alguma luz... Comprei velas de baunilha (que meti no roupeiro para dar cheiro), mas descobri que não tenho maneira de as acender. Foi à luz do "How I met your Mother" que estava a dar na televisão arcaica que herdei do antigo habitante do meu quarto, e com as janelas completamente descobertas, que me sentei de pijama na minha cadeira hiper-confortável de escritório (sempre sonhei ter uma destas) a comer as gomas que a Mariana me deixou.

Dizem que a neve vem no fim do mês. E dura 5 meses. Por isso fiquei contente por saber que em Tel-Aviv estão 27ºC. Vou ter tempo mais do que suficiente para chafurdar na neve... Só hoje é que caí em mim - faltam 5 dias para Israel e parece-me que não estou bem a ver onde me vou meter.

Tenho de telefonar para a TELE2 para me instalarem net em casa. E tenho de lavar um carregamento descomunal de roupa entre o qual se encontram as cortinas das janelas e roupa interior para 3 semanas fora.

Ah, e esta semana estou "on duty" na minha nova morada. Em cheio.

06 outubro, 2011

Fujichrome 64T RTP II, expired 2002

Estava (há um mês?) pousado no meio da confusão da minha sala de projecto à espera que eu reparasse nele.

"Olááá... tu por aqui sozinho? Vê lá se o meu bolso é confortável..."

02 outubro, 2011

Proporção 2 para 25.

Após duas semanas de existência e (poucos) posts depois, parece-me que o conteúdo deste Prato do dia se tem cingido, de alguma forma ou doutra, ao tópico da culinária/gastronomia/fikas. Não sendo esse o propósito (exclusivo!) deste Prato do dia, proponho hoje um outro tópico que tenho experimentado durante o último mês.
Porque parece que voltei à escola internacional.
Avisaram-nos logo, ainda antes de vermos o edifício: É o edifício mais polémico (odiado, mesmo) de Estocolmo. Não sei se a trepadeira verde e vermelha lhe tenta esconder a cara, mas a mim parece-me um contraste bonito sobre o betão. Rios de bicicletas velhas, ferrugentas e coloridas atrapalham-se debaixo das escadas de tiro que levam da rua ao piso de entrada da escola onde seguramente vamos encontrar o senhor cozinheiro maldisposto, de avental, a fumar à porta. No átrio, que também faz a vez de bar, há muitos meninos louros (se bem que a maior parte são seguramente muito mais velhos do que eu) que também se vestem tendencialmente de preto como em outras escolas de arquitectura. Há os óculos da moda, as malas da moda, os sapatos da moda, os cortes de cabelo da moda... e há um elemento que se destaca: são umas pequenas escadas de ferro circulares, daquelas que nos lembramos de ter visto algures numa casa com sótão, que estão colocadas centralmente e que são laranjas. Levam aos estúdios.

Aqui a escola é diferente daquilo a que estávamos habituados. Aqui, o ano começa com um workshop de duas semanas que nos introduz Estocolmo de outra perspectiva - aquela que nos interessa. Depois de visitas a arquivos, conferências no Museu de Arquitectura e algum trabalho de campo na cidade, o grupo (que foi formado aleatoriamente e é constituído por suecos e erasmus) é convidado a produzir e a apresentar uma interpretação daquilo que foi analisado, estudado e debatido. Nós fizemos um filme, sem arquitectura... Entretanto, há uma introdução aos 10 estúdios a decorrer durante o ano lectivo e que os alunos deverão escolher por ordem de preferência para se proceder à seriação e à formação de turmas. São 10 temas diferentes e todos com dois ou mais projectos a realizar durante o ano. Cada estúdio não terá mais de 25 alunos e os dois professores responsáveis estão presentes todas as aulas. A maior parte dos estúdios incluem uma ou mais visita/viagem no âmbito da cadeira, podendo esta ocorrer tanto na Lapónia, como em Hong Kong. Sustentabilidade, urbanismo, estudos críticos, paisagismo, habitação, modelação, edifícios públicos, ... há um tema certo para toda a gente.
Para compôr o nosso ciclo de estudos existe ainda uma outra cadeira opcional enquadrada no tema geral da História, Teoria e Tecnologia da Arquitectura e que decorre uma vez por semana. Para já, ainda não sei muito bem o que me espera o Coloured Light, o tema que escolhi, mas a primeira aula começou bem, com uma visita a uma exposição relacionada com a experiência da luz e da cor pelas pessoas no espaço.

Depois das escadas de tiro da entrada e de mais três lanços em escadas de caracol laranjas apertadas, apertadinhas (o cruzamento de duas pessoas em sentido contrário chega a ser conflituoso), chego ao 5º andar e à ala onde se encontra o meu estúdio, entre outros. Meia tonta e ofegante dou os bons-dias em inglês aos colegas que se encontram já a trabalhar na sala. A turma é à partida multicultural, um professor sueco e outro israelita. Mais de metade da turma é composta por pessoas não-suecas e, portanto, o inglês domina, como aliás acontece em todas as vertentes da escola. Há gente de todo o lado, com diferentes métodos e processos de trabalho, diferentes construções, soluções e arquitecturas. O objectivo não é ensinar um tipo de arquitectura que se conhece e que se pratica, mas antes orientar e questionar o aluno face ao caminho que o próprio traça. Já tenho 4 anos de formação em arquitectura. Tenho seis semanas para resolver um concurso para uma igreja na Noruega em grupo com outros erasmus de escolas que não conheço. É um desafio estimulante.